Ha 30 anos tinha 3 anos

Há 30 anos tinha 3 anos. Hoje tenho 33 e ainda piso as folhas crocantes que mancham o chão.

Há 20 anos tinha 13 anos. Hoje tenho 33 e ainda me sujo sempre que visto calças brancas.

Há 10 anos tinha 23 anos. Hoje tenho 33 e ainda gosto de ver reruns de Gossip Girl.

Hoje tenho 33 e finalmente aprendi a viver um dia de cada vez.

1986

Hoje, no emprego, alguém dizia “são estagiários que nasceram em 1999 e 2000”.

Já sou velha o suficiente para sentir o cérebro a congelar e o coração a abrandar para ritmos de urso em hibernação quando ouço frases destas. Fuck, i’m old, corre em loop no rodapé do ecrã dos meus olhos.

Nasci em 1986 e, como tudo o que diz respeito à minha pessoa, acho que a minha geração é a melhor de sempre.

Acordávamos às 7h para ver desenhos animados num dos 4 canais (no dia em que tive tv cabo, fiquei a ver Panda até às 11 da noite e foi do caraças). Fomos criados pelo Dragonball, Navegante da Lua, Mortal Kombat e o jogo dos hipopótamos a comer bolas. Aprendemos a viver com a possibilidade de não ter muitas escolhas. Éramos sucintos para que tudo coubesse num único SMS. Dávamos toques, porque ficávamos sem saldo (e porque era fixe). Aprendemos a valorizar o dinheiro.

Neste momento da humanidade, estamos altamente ocupados a consumir ao máximo os serviços das igrejas e dos registos civis, aluguer de tendas, fornecimento de pratos em demasia por refeição, decoração de mesas temáticas para celebrar desde baby showers, nascimentos, casamentos, batizados, aniversários, divórcios, casas novas a aniversários de cães.

Somos filhos da União Europeia e viajamos constantemente. Em dez anos já vimos duas vezes mais do que os nossos pais viram em metade das suas vidas e fazêmo-lo (quase todos) de peito cheio frente a todo o mundo, que via redes (anti)sociais agradavelmente nos persegue.

Não gostamos de passas, nem de bolo rei. Se não somos espetaculares, então mais nada sei.

I got 666 problems and I bet you ain't one

Tenho um medo imenso de morrer. É imenso de tal forma que às vezes deixo de conseguir respirar porque o desespero me invade com tentáculos crescentes que parecem envolver todos os meus canais respiratórios e de pensamento.

Assusta-me a realidade de de um momento para outro tudo se apagar e o escuro ser a presença constante e única. Não mais poder acordar, sentir o peso do corpo leve sobre o colchão (Headspace FTW), sentir o toque de um sol brilhante e acariciar caras caninas felpudas que me olham cheias de bondade e se inclinam sobre a minha mão. Depois penso, se não perceber o que aconteceu, se calhar não me vai custar. E ainda depois penso, mas como não vou saber? Vou largar tudo sem qualquer aviso? Sem um último vislumbre das coisas boas?

Também tenho medo de morrer de forma estúpida, de desperdiçar esta oportunidade que a natureza me atribuiu por algum milagre biológico absolutamente aleatório de poder respirar, ver, ouvir e sentir sem chegar a sentir a satisfação de ter vivido uma vida cheia. De dizer, vou-me, mas fiz tudo (ou quase tudo) o que sonhava. Morrer estupidamente assim como quem se estica para desligar o aquecedor sem sair totalmente na cama, de luz apagada, e bate com a cabeça na esquina da mesa de cabeceira e ali fica desanimada para sempre. Como quem corre junto ao rio e não repara num fio de pesca de um de meia dúzia de pescadores que debruçados sobre o Tejo tentam a sua sorte ou passam o seu tempo e fica sem cabeça.

Suponho que o maior pedaço de medo será mais pelo término antecipado de uma vida inútil, incompleta, insegura do que propriamente pela morte estúpida.

De qualquer forma, não saberás, diz satanás enquanto atira a cabeça para trás e se ri histericamente.

O melhor é apressar-me e fazer algo de jeito. E abrir os olhos quando vou correr.

Welcome to the twilight zone ou PUF! a vossa cabeça explodiu

Acabei de dormir uma sesta de tal forma intensa, que antes de acordar e evoluir do modo leão marinho para a modalidade zombie cabeçudo de Torres Vedras sentado no sofá a tentar içar-me estava a sonhar em evoluir do modo leão marinho para a modalidade zombie cabeçudo de Torres Vedras sentado no sofá a tentar içar-se.

Tornei-me, nos últimos meses, a rainha da sesta. Não ouso insinuar que sou melhor que qualquer outro ser na arte da sesta, apenas que estou presa num vórtice de adormecimento. Preciso de uma sesta às 19h, para poder viver das 20h às 24h. Acho que isto ilustra este meu modo de narcolepsia avançada. Uns 30 minutos a dormir por cada 10,5 horas de vida acordada, mais ou menos.

Será a aproximação feroz dos 33? O peso tremendo das pestanas? O desinteresse pela luz do dia? Agora que penso nisso, noto os meus caninos levemente mais pontiagudos… hmm, Lestat, where art thou?

Ode aos emoji

Estive aqui a pensar (mentira, estava no carro quando aconteceu) e apercebi-me de que por mais frívolos, superficiais e opacos que os novos meios de comunicação nos tenham tornado (ou ameacem tornar), ganhámos graças a esta revolução toda uma linguagem que, verdade seja dita, eleva a expressividade a um potencial nunca antes visto.

Estou a falar disto: 🤤 [tão, tão multifacetado, diosmio: gula, gula da Gyllenhaal, estado constante de diversas pessoas-zombie que não nomearei]

E disto: 🤣 [‘lol’, quem és tu, ser minúsculo?]

E disto: 🤦🏻‍♀️ [para quê revirar os olhos até ao infinito, quando o que queremos mesmo é agredir a testa, enquanto murmuramos F……]

Anteriormente, tínhamos isto:

:)

E vá, na loucura, isto:

xD e \m/

Sou honesta e digo sem medos que adoro.

Eu, que perante a perspetiva de um abraço ou mão no ombro de um semi-conhecido ou amigo-não-super-próximo dou involuntariamente uma ordem aos meus músculos para se contraírem e desligo metade do cérebro (i’m working on it, juro), tenho assim uma nova forma de compensar toda esta minha quasi-incapacidade de receber tranquilamente o afeto físico amigável e mostrar a esta população que sim, gosto deles, só (ainda) não consigo estar mais do que dois segundos em contacto.

E a verdade é que dizer ‘estou triste’ não chega aos calcanhares disto: 😔

E nunca tanto amor foi expressado desde que usamos e abusamos de: 😘😻 [O gato. Ohmeudeus, o gato!]

Nem nunca agradecemos com tanta intensidade como agora: 🙏🏻🙏🏻🙏🏻

Deixo-vos com esta (para mim, doce) reflexão e ̶u̶m̶ ̶a̶b̶r̶a̶ç̶o̶ os meus preferidos de sempre (se já os receberam, é porque estão aqui ❤️):

🐣🌈

P.S.: Se calhar devíamos era escrever (com LETRAS!) (e, dare i, falar?) mais e de forma mais transparente, mas entre o devíamos e o fazemos está um fosso do tamanho do meu amor pelo Harry Potter. Comemos por algum lado, vá.

Oh não mais um post sobre o novo ano... (spoiler alert: este traz imenso ódio)

Sei que vou apenas ser mais uma de para aí 3 milhões quando escrevo, o tempo passa a correr, porra.

***

Um breve aparte: é impressão minha ou toda a gente tem sempre um ano do caraças com fotos fantásticas sorridentes para comprovar? Para quando um post no Instagram com as 9 piores fotos do ano? Aquelas a que só 3 pessoas fizeram like e 2 deles têm relação sanguínea connosco? Essas sim deviam ser partilhadas. É a errar que se aprende, malta. Assimilei eu bem esta lição graças às diversas vezes que esmurrei o carro nos pilares da garagem - não tendo nunca batido na estrada, ‘tão a ver??!! Pronto, o meu ano foi mais ou menos. Quem quiser juntar-se ao clube, venha daí (mas calados, que eu gosto de pouco barulho).

***

Não planeio aborrecer ninguém com conversas longas e aborrecidas sobre o novo ano (serei sucinta e interessante), mas estou cheia de planos na cabeça de coisas que TENHO de fazer em 2019. Não tanto porque quero crescer e evoluir como pessoa adulta, mais porque o pensamento COMO É QUE AINDA NÃO FIZESTE ISTO, [inserir a vossa asneira mais agressiva predileta] ? está a passar constantemente na parte de trás dos meus olhos preso a um daqueles aviõezinhos que publicitam mensagens de amor e festas brancas e que às vezes caem nas praias.

Naturalmente, não ocuparei este digno espaço com os meus superficiais desejos e anseios (pf ignorar os últimos 13 anos de posts), mas partilharei uma das minhas ações para 2019 especialmente porque a farei com banda sonora de riso maquiavélico em loop:

So long, facebook.

Fomos próximos durante 10 anos (o tempo passa a correr, porra) e sinto que não tirei nada desta relação. Tu levaste os meus dados e fazes sabe Mark o quê com eles, torturas-me impossibilitando-me de evitar que me tagguem (reparem só, duplo g para agradar ao inglês e u depois do g para agradar ao português - am i a crowd pleaser or what?) em fotos, bombardeias-me com emails aleatórios sobre updates QUE EU NÃO POSSO PERDER sobre as aptidões fantásticas que os hamsters dos filhos de pessoas que andaram comigo na primária possuem, enfim podia listar os teus defeitos durante certamente diversos minutos.

E o que me deste tu? Sentimentos de incompletude face às vidas alheias que inadvertidamente (será?) vou acompanhando? Records de corridas que não vou conseguir bater? Barrigas magras bronzeadas que vou ver passar ao lado? Destinos paradisíacos que ainda não visitei? Visibilidade sobre promoções irresistíveis de sacos de silicone para guardar alimentos quentes, frios ou gelados e que PODEM IR À MÁQUINA DE LAVAR???

Não mais, facebook. Chacun son cinéma e eu não quero mais ver o teu filme. Sem rancores, mas sem demoras.

Nota de rodapé escrita em tamanho normal para ser lida a velocidade acelerada como na rádio:

O glamoroso dear chiclete continuará acessível diretamente no seu website - dearchiclete.net. OH MEU DEUS, COMO ASSIM VOU TER DE IR A UM WEBSITE?! diz a mente simplória. É fácil, diz Rita, Master of the Universe (sim, este é o meu nome oficial - a Siri usa-o sempre que fala comigo) podem subscrever para receber os novos posts por email (lá em baixo no fundo de tudo) ou então ser fixes e segui-lo no Feedly ou algo similar. No twitter e Instagram também nos podem achar (eutanásia a uma rede social de cada vez, antes que comecem a mandar vir acusando-me de inconsistência, vermes).

Até já pessoas e se me virem na rua evitem desejar-me bom ano - sinto-me estúpida a dizê-lo de volta. É uma insegurança minha. Enfim, ainda não sou perfeita. Lá chegarei.

eu, para sempre uma pessoa de extremos

Acabei de me sentar no meu lugar designado. Fila 21, assento C. Junto ao corredor, glória extrema.

Olho para o lado esquerdo e vejo um rapaz da minha idade e ar nórdico a falar em língua gestual com uma rapariga por vídeochamada. Claramente, namorados. Estão a fazer gestos românticos. Volto a cabeça para a frente e sorrio. O amor vive.

Inspiro longamente e encosto-me por completo na cadeira. Quase por completo. Olho para o lado direito e a um centímetro de mim está uma rapariga também da minha idade cujo casaco de inverno de recheio almofadado e arestas felpudas estrategicamente colocado como amortecedor entre o seu corpo e o assento ocupa muito mais do que o seu espaço designado. Serro os lábios e deixo que os meus molares inferiores empurrem os superiores com demasiada força, enquanto com o ombro direito luto para alcançar as costas do assento, por entre a penugem animal do casaco da miúda-verme. Se o corpo humano conseguisse produzir ódio em estado líquido, eu seria neste instante a versão homo sapiens das Cataratas do Niágara.

Love me or go the fuck home.

Uma só palavra

Numa única meia hora de viagem de carro consegui (i) cantar de olhos sorridentes uma música que adoro com voz oriunda do diafragma, (ii) berrar palavras comecadas por C para outro automobilista, enquanto gesticulava ameaças de punho fechado na sua direção e o meu coração palpitava raivosamente e (iii) chorar lágrimas sinceras de miséria profunda por alguma tristeza momentânea. 

Só fui apresentada às montanhas russas abismais que o mundo levianamente apelida de TPM aos 31, pelo que ainda estou a enfrentar esta realidade com espanto.

Bem ditos sejam os cubículos das casas de banho dos escritórios que permitem acolher com discrição a angústia repentina que ocasionalmente afoga olhos e aperta gargantas femininas só porque ao retirar um agrafo de um molho de folhas um dedo foi ligeiramente picado, ou porque o ar condicionado está demasiado frio e o casaco disponível não combina a 100% com a roupa que se trouxe, ou porque alguém a quem perguntámos se já tem almoço combinado não respondeu de forma excessivamente feliz ou simplesmente porque NADA!

Glória a todas as mulheres que habitam este mundo e que as têm histéricas dentro de si e ainda assim nestes dias ousam colocar as suas cabeças fora de casa e viver.

HORMONAS!, gritamos bem alto, de bocas escancaradas sorridentes e olhos lacrimejantes.

Glória às férias

Em primeiro lugar, um disclaimer: estou de férias.

Sim, de férias. 

Mais uns segundos?

Já reduziram o franzir de testa e o esbugalhar de olhos de total indignação contra a minha ousadia de tirar férias num período em que o senso comum dita que se deve estar a bulir furiosamente e que quem se atreve a escapar da normal temporada patronal deve ser presenteado com estes olhares quasimodianos e frases que em reduzida essência questionam se não me enganei e se na realidade não fui já de ferias?

Agora que ainda me odeiam de igual forma, mas compreendem que pelo menos não estou em incumprimento da lei, saibam que vim à praia. 

O interessante desta minha vinda à praia é que permitiu que confirmasse que a minha cobardia em proximidade da água anda a atingir dimensões abismais. Molhar os pés para mim consiste, nos dias correntes destes meus joviais 32 verões, em caminhar sobre a areia que há segundos foi tocada pela onda. Em certas ocasiões, quando não estou tão forte, opto por sentir a temperatura do mar através dos nanossalpicos que se projetam para cerca de 2 metros de distância da zona de rebentação. 

Naturalmente, este meu handicap foi rapidamente identificado pelo meu professor de surf, quando pela primeira vez entrámos na água e a minha expressão de terror e postura paralisada lhe deram a entender em meio segundo que eu tinha medo da água, das ondas, da corrente, da rebentação, das rochas, das algas, dos peixes e dos grãos de areia mais escuros.

Eu culpo a minha infância em Santa Cruz, onde ir à praia não incluía ir ao mar, a não ser para quem desejava uma morte molhada.

Conclusão: se virem uma jovem adulta a três metros do mar de ar satisfeito há uma possibilidade superior a zero de ser eu. (Mas não parem, continuem a andar, OK?)

Lost at the supermarket [post com banda sonora]

Já aqui desabafei sobre o meu amor profundo pela capacidade de iniciativa certeira do Spotify. Hoje venho fazer mais um louvor a este seu extremo talento. 

Fui ao supermercado sozinha às 11h da noite (algo que às almas altamente sociáveis poderá parecer um dos piores programas possíveis, provavelmente apenas ultrapassado por uma ida ao supermercado sozinha às 11h da noite de um sábado, mas para mim que sou supermercado-viciada é apenas um programa não histericamente fantástico) e o habitual passeio pelos corredores gelados rapidamente se transfigurou (Professora McGonagall <3) numa experiência revigorante, quando o Spoti me encheu os ouvidos de New Order.  

De súbito, estou nos anos 80. Cabeça oscilante. Ombro esquerdo para a frente. Ombro direito para a frente. Repeat. Puxo o cesto rolante ao ritmo das guitarras. Piso os mosaicos manchados em passos diagonais. De fato de treino transpirado (sim, vou ser solteira para sempre, eu sei), procuro melancias de dimensão proporcional à minha força de braços e sinto que sou a mais bem disposta de toda a zona dos frescos. 

Spoti, ainda estamos a tempo de casar. Pensa nisso.

Sou uma pessoa de fascínio fácil.

Vou ao Continente e invariavelmente fico siderada sempre que as portas de acesso ao supermercado se abrem sozinhas (abram alas que aí vem Rita, a Grande, procurar farinhas de cenas que depois arrumará em lindos frascos na despensa e utilizará nunca). Magia! grita o meu cérebro de imediato.

Falando seriamente, sofro do forte problema que é a ignorância (quase) absoluta sobre como funcionam (quase todas) as coisas mecânicas produzidas pela mão humana. As lâmpadas, os computadores, as impressoras, os aviões, ohmeudeus, OS AVIÕES! Desconheço como tudo isto funciona e isso aflige-me (mas aparentemente não o suficiente para ir consultar literatura elucidativa em vez de estar aqui a verborreiar). Suponho que o meu cérebro está demasiado ocupado com (i) o acompanhamento da obra cinéfila do Jake Gyllenhaal, (ii) a reflexão sobre qual o tipo de barba que mais bem lhe assenta e (iii) o desenvolvimento de uma tese sobre o potencial impacto positivo que o seu olhar puppy-guerreiro pode ter para o alcance da paz mundial.

Troco lições de física por farinha de grão (tenho bué). 

Talvez alguém escrevesse ‘Dramas da vida solteira’, eu proponho ‘Vicissitudes da existência inupta’ porque soa imediatamente chique e suaviza o pesar

Dormir uma sesta tão longa que devia ser apelidada de pré-noite, chegar ao telefone, que estrategicamente foi colocado noutra divisão da casa para evitar sobreusagem, repousar uma impressão digital sobre o botão redondo, ouvir com ansiedade o familiar tchik, constantar que a única notificação existente é Encontre já o seu sutiã favorito! da H&M, sentir transfiguração imediata da face para modo smiley face cujos olhos e boca são trancinhos horizontais  

Já o dizia a sábia Alice, se perguntarem por mim, digam que voei  🕊 (just kidding, vou só ali à casa de banho arranjar as sobrancelhas com precisão nanomilimétrica durante hora e meia).

 

Medos

Há certas certezas que me acompanham na vida desde há meias e meias dúzias de anos que são de tal forma inabaláveis que por mais cérebros inteligentes que me tentem convencer do contrário, sei que nada mudará. Uma delas é a minha convicção de que um ser humano não pode ser totalmente adulto, se ainda se tiver medo de ficar fechado na casa do lixo.

Só na década passada ultrapassei o medo do escuro (ainda tenho a recaída ocasional, sobretudo se estiver a dormir em quartos com armários grandes de madeira escura - como é que as crianças chegavam à adolescência na fase pré-Ikea, pergunto-me), por isso estou confiante de que ainda vou demorar até conseguir ficar fechada na mesma divisão que caixotes gigantes coloridos recheados de conteúdo cheiroso sem ficar com arritmia. Deixo sempre a perna estendida com o pezinho a segurar a porta, porque tenho a certeza ABSOLUTA de que se a ela se fechar assim permanecerá para toda a eternidade que nem pedras gigantes bloqueantes de túmulos do Vale dos Reis.

Posto isto, se estiverem perto de mim e me virem com um saco do lixo, sejam adoráveis e perguntem-me se preciso de ajuda - prometo que vou aceitar (apesar da minha quase-fobia a aceitar ajudar - sim, sou a rainha dos medos encadeados).

Relações a três

Uni-me de facto. A verdade é que não tínhamos dito nada a ninguém (tripla negativa, um prémio pf?) por estarmos ainda a pensar se escrevemos carta ao Papa Fran para ver se ele abre uma exceção e nos deixa fazer festa na igreja. Mas, já não estava a aguentar mais este segredo. O que interessa é que nos tornámos inseparáveis e vamos ficar juntos para sempre*.   

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Já andamos na rua todos juntos sem querer saber dos que nos olham com sobrolho franzido. 

Com amor,

Airpod esquerdo, Rita e Airpod direito

* (ou until Low bat do us part).