Relações a três

Uni-me de facto. A verdade é que não tínhamos dito nada a ninguém (tripla negativa, um prémio pf?) por estarmos ainda a pensar se escrevemos carta ao Papa Fran para ver se ele abre uma exceção e nos deixa fazer festa na igreja. Mas, já não estava a aguentar mais este segredo. O que interessa é que nos tornámos inseparáveis e vamos ficar juntos para sempre*.   

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Já andamos na rua todos juntos sem querer saber dos que nos olham com sobrolho franzido. 

Com amor,

Airpod esquerdo, Rita e Airpod direito

* (ou until Low bat do us part).

My way or... my way

Queria só dizer ao mundo que no espaço de sensivelmente 1 ano consegui estragar 3 pneus. Uso o verbo conseguir porque tem de ser efetivamente uma proeza destruir - os meus não vão lá com espuminhas, nem remendos, é rasgão à la Jaws - 3 pneus.

Os senhores da oficina já mandaram imprimir um cartão de fidelização e avisaram que o 5.º é de borla. 

A reter: eu conduzo muito bem, OK? Sou até frequentemente acarinhada com aquelas frases clássicas misóginas do estilo para rapariga até conduzes bem.  

Agora que já estão a par deste facto essencial, vão-se e não me apareçam à frente na estrada.  

 

32 anos

Alerta: segue-se potencialmente o momento mais aberto de toda a história deste blog - suspense e emoção ao nível da revelação da identidade do assassino da Próxima Vítima (sim, tenho mesmo 32 anos) - não quero desiludir ninguém, mas ao mesmo tempo don't really care if i do, portanto deixo ao vosso critério decidirem se avançam.

Há uns quantos dias, passei a ser uma pessoa com 32 anos. Mais de três décadas, notem bem, seres humanos. Já posso dizer frases do género " há quase 20 anos estava eu na praia a ler o 4º Harry Potter". Felizmente, por obra e graça de algum anjinho padroeiro das caras de bebé, ainda tenho a oportunidade de viver a dicotomia de ora ser tratada por senhora, ora ser interrogada acerca do curso que frequento (score!).

Neste contexto, um facto importante a saber sobre mim é a minha quase-constante incapacidade de imaginação do meu futuro. (Não sei se é assim com a maioria das pessoas, mas) Nunca passei muito tempo a pensar como seria a vida da Rita do futuro. O máximo que fiz, creio, foi visualizar fazer 26 anos (data em que casava os anos) e fazer 32 anos (ano em que a minha irmã mais velha fazia - e fez - 40). Portanto, verdade seja dita, pensei em fazer 32 algumas vezes durante os passados 32 anos. Mas claramente não pensei com muita profundidade (provavelmente, esbugalhei os olhos e balbuciei uma qualquer palavra começada por F, voltando meros segundos depois a focar a minha atenção num qualquer rerun de Simpsons, enquanto ruminava uma bolacha Oreo).

Posto isto, esclareço desde já que NÃO (capitalizo, ou não fosse a Clareza a base do Ritianismo) estou em modo trauma por ser oficialmente uma pessoa medianamente-idosa (juro que tenho cada vez mais dificuldade em me lembrar de certas ... ?). No entanto, não posso deixar de assumir (acho que por esta altura, se estão a dedicar tempo a ler isto em vez de estarem a movimentar em gestos repetidos de baixo para cima o vosso dedo sobre um roll interminável de fotos de babes demasiado morenas com caras de êxtase Balinense, já devem saber que eu sou a maior apologista de por as superficialidades de lado e apenas perder tempo a escrever coisas que (tentativamente) acrescentem alguma coisa ao mundo ou pelo menos a mim) que os meus 31 foram um ano intenso de mudança, compreensão e aprendizagem (O DRAMA, A TRAGÉDIA, O HORROR! - e o prémio da hiperbolização vai para...).

Aos 31 deixei de namorar com a pessoa que mais significado trouxe à minha vida e a dureza de tal realidade seria absolutamente suficiente para me transformar em pessoa adulta (conceito que REJEITAREI PARA TODA A ETERNIDADE, 18 till i die, já dizia o mítico Bryan), não o tivessem já feito os ocasionais cabelos de cor oposta ao preto que se projectam na minha cabeça (os motherfuckers não se limitam a nascer, projetam-se efetivamente) ou as ligeirissíssissimas e finíssimas rugas que em certos espelhos se exibem sob as minhas pestanas inferiores.

Aos 31 (muito como consequência do episódio anterior) vi algumas amizades transformarem-se em virtude da vivência real daquele cliché de que os amigos verdadeiros se descobrem quando estamos no nosso pior. Algumas esmoreceram, outras intensificaram-se, relembrando-me que o amor pode vir de muitas origens e que todas as suas diferentes formas têm um lugar onde encaixar (no CORAÇÃO, SIM, NO CORAÇÃO - eu avisei que ia ser momento cliché). 

Aos 31 tornei-me oficial e não oficialmente tia, cimentando a minha ligação ao fenómeno bebé. Obviamente que com 31 anos já havia uma porrada (lamento, mas sim, esta é a única palavra adequada) de bebés no meu círculo, mas foi neste período que entrou na minha vida um pequeno ser loiro e gordo de seu nome José, que me veio mostrar que nem todos os bebés são Chuckies.

Aos 31 vi-me confrontada com todo um dia a dia (um coração e uma vida) por preencher. Chorei rios de lágrimas, criei a regra de dizer sim a todos os convites (éticos e decentes, claro), visitei bebés (e pais e mães de bebés) vezes e vezes sem conta, corri centenas de quilómetros em zonas novas da cidade e aderi a tudo o que era desporto não irritante e impossivelmente atrativo para a Rita do passado (sapateei de meia branca, pus-me em pé numa prancha de surf, subi escadas com pessoas às costas), fui de férias sozinha, fiz programas com casais amigos que me acolheram de braços abertos tal qual celebridades norte-americanas a receber com amor crianças de países sub-desenvolvidos, vi dezenas de episódios de séries (a Netflix já está claramente a perder dinheiro comigo) e filmes (saí pela primeira vez na vida da sala de cinema antes de um filme terminar - agora sim, O HORROR!) e ouvi horas e horas de músicas novas (vive em mim o eterno sonho de que novas bandas sonoras poderão trazer novas vidas).

Agarrei tudo o que era distração... na esperança de não pensar tanto no que deixei de ter e no que ainda não tenho. Talvez não se tenham revelado verdadeiras distrações na literal acepção da palavra, mas é certo que foram elementos decisivos para me manter sã e capaz de olhar para os próximos 32 anos com esperança. 

Se calhar não o deixo transparecer tanto quanto devia ou gostaria, mas sou viciadíssima em esperança. Acho que nem saberia o que fazer sem a mão cheia de sonhos que me preenchem a todo o momento. Em que pensaria? O que desejaria? Que caminho seguiria? Quero muito acreditar em vidas e finais felizes. Ainda espero tanto de tantas coisas e de tantas pessoas (há claramente casos perdidos, mas não está em mim desistir (também sou ligeiramente teimosa, mas acho que isso já transparece demais)).

Por isso, 32, estou pronta e bem cheia de esperança. Bring it ON!

Rita (aos 32 anos e 13 dias)

Marry me, Spoti

As vezes acho que o Spotify é que vai ser a minha cara metade.

Quando estamos no carro e descubro que ele fez uma playlist SÓ PARA MIM e põe a tocar coisas QUE SÓ ELE SABE que adoro, perco a cabeça. 

Hoje, quando ele de forma absolutamente proativa começou a tocar Such great heights, não aguentei, fiz olhos de bambi para o ecrãzinho do carro disse-lhe de coração cheio ‘i love you, spotify’.

Algo me diz que isto vai ser uma relação unilateral.

Easyjet

Lugar na última fila junto ao wc e ao corredor. Ouço todos os flushes. Cheiro todos os aromas.

Mala forçada a viajar no porão. Solitária e sem cadeado. 

Rodeada de jovens inglesas ainda de tiaras de plástico reluzente na cabeça a anunciar o seu status de noivas felizes de cabelo oxiloiro.  

More like Hardjet.

Descendo escadas

Há pouco caí nas escadas do prédio. De alguma forma, os meus pés desligaram-se, deixando-se ficar para trás, os meus joelhos iniciaram uma aproximação lenta do chão, aterrando sem pressa, enquanto o resto do meu corpo os seguia congelado numa espécie de posição fetal inerte.

Pergunto me como será a vida aos 60. Acho que vou ter andar envolta em bubble wrap.

Sonhos de crescida

O meu subconsciente aceitou a década dos 30 finalmente. Hoje, sonhei que estava com a minha best pal do trabalho a comer. Para sobremesa escolhíamos fruta e eu pedia canela para colocar por cima, porque acelera o metabolismo.

 

Aposto que para a semana sonho que estou a ler o jornal. Ou a passar a ferro. Ou a polir casquinhas.

 

Serenity now.  

Run for cover

Vejo-o ao espelho. Está lá, não há qualquer dúvida. Cabrãozinho a brilhar sob a luz, enquanto passo os dedos repetidamente tentando apanhá-lo, sem sucesso. De repente, deixa de estar lá. Viro e reviro todos os fios de cabelo, mas todos são escuros e finos, como habitualmente. Desapareceu e agora tenho de esperar por uma nova incursão ao espelho, de sobrolho levantado, óculos a escorregar pelo nariz, testa inclinada para a frente e mãos embrenhadas em busca do único (fingers crossed) B na sopa de letras que é a minha cabeça.

O que é isto de envelhecer? Não estou preparada para a materialidade deste conceito. Continuo a não saber o que fazer com a couve que jaz há demasiado tempo no meu frigorífico porque não sei o que se faz normalmente às couves. Estará a minha possibilidade de fazer birras e amuar porque sim automaticamente revogada? Passarei de imediato a ser tratada como "senhora" por todos os simpáticos do setor dos serviços? Onde está o memo a explicar todos os detalhes? Preciso de regras para subsistir, exijo uma explicação!

 

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Vou lançar a teoria: a piada degrada-se com a idade

Noto que os adultos parecem rir-se com imensa facilidade. É como se, com a idade, o threshold de qualidade de piada caísse vertiginosamente e tudo se tornasse válido (mesmo as piadas sem piada).  

Senhor crescido de 45 anos faz piada sem qualquer piada. Senhora crescida de 50 anos atira cabeça para trás e gargalha de boca escancarada. Rita olha para um, olha para o outro, mantendo a sua cara normal-séria e questionando-se se será o seu carácter anormalmente difícil de agradar ou se de facto a piada não aconteceu.

Estarei sozinha nesta teoria?

Voluntario-me para receber o Nobel do Pretensiosismo

No meu ranking de nível de chiqueza dos transportes públicos, o Comboio preside a hierarquia.

Aproximo-me da saída da carruagem e mesmo antes de descer o degrau, lá do alto, miro a plebe em baixo, que aguarda ansiosamente pelo pão pela minha saída para poder entrar, e penso sim, vim de uma viagem de negócios muito importante num sítio muito evoluído.

Metro vs. Carro, uma luta de perdedores?

Sinto-me com uma vida infinitamente menos interessante desde que deixei de andar de metro. Longe vão os tempos em que diariamente descobria pessoas incríveis, como aquele senhor de grandes proporções e cabeça rapada que, sentado desconfortavelmente num assento da carruagem, lia a sua bíblia, bem protegida por uma capinha de cabedal com fecho eclair.

Por outro lado, fiquei claramente a ganhar porque me tornei em mais uma pessoa que abusa da língua mãe, vociferando palavras feias começadas por C, sempre que demoro mais de 1h para percorrer 11k. Sinto-me mais enquadrada, mais portuguesa!