Estou a sofrer do síndrome o rabo não me cabe nas calças.

Bem, ele até cabe, mas fica ali estrafegado género saco de cama enfiado a extremo custo dentro do seu saquinho protetor após 3 dias de festival de verão (por favor, não estejam já a visualizar o meu rabo em tamanho de autocarro. Aliás, de preferência não o visualizem de todo (tarefa difícil dado não ter ainda falado em mais nada para além da gigantez do meu rabo)). Mas, verdade verdadeira é que ele está efetivamente difícil de arrumar. Sinto-me solidária com o conjunto de mulheres que ouço, desde pequena, dizerem “tudo o que como a mais vai diretamente para o rabo” e ainda mais solidária com aquele outro conjunto que diz “eu cá engordo racionalmente: em todo o lado”.

Louvados sejam os modelos de calças relaxed que populam as lojas este ano. Para além de sentir que ando à solta (men, you are not alone), gosto de pensar que é um sinal de que os estilistas estão a sorrir levemente do alto dos seus estiradores, enquanto rabiscam corpos esbeltos em trajes coloridos com a mão direita e seguram um cigarro fumegante com a esquerda, pensando para si mesmos, sim Rita, é OK estar gorda, podes relaxar.

A criancice é algo que brota em mim, como a previsibilidade brota dos livros de Nicholas Sparks

Hoje, sinto uma invulgar excitação envolta numa camada grossa de infantilidade graças a dois grandes motivos, que geram, cada um, sentimentos perfeitamente opostos:

- estou a mexer num documento que diz na capa documento confidencial e sinto-me importante, sinto-me grande e poderosa do alto do meu metro e 58;

- logo à tarde, vou ao ginásio medir a minha massa gorda e sinto-me minúscula, ridícula e temerosamente obesa na varanda dos meus fantásticos yeah-right!-como-se-eu-fosse-dizer-quilos.