13h

De vez em quando, Rita trazia almoço de casa.
Chegadas as 13h, dirigia-se para a larga copa, de pequenas mesas redondas e cadeiras de pé alto. Discretamente, aquecia o seu prato e comia na quietude da sua mesa, concentrada em manter uma postura correcta e comer delicadamente.
A melhor parte do almoço não era a comida caseira, nem o pensamento de poupança. A parte mais suculenta eram as outras pessoas. Os outros seres que também traziam almoço de casa e comiam reunidos em pequenas manadas espalhadas em torno das mesas. Assim, sempre que levantava o olhar, Rita observava a senhora que comia, de rabo descuidamente sentado no estreito banco, revelando mais do que as suas calças deveriam permitir. A senhora que sugava o pedaço de um animal não identificado, enquanto o segurava com os dedos, sem medo nem pudor. A senhora gorduchinha que, na felicidade de ter trazido um mini-chocolate para sobremesa, lambia caninamente o invólucro, enquanto os seus olhos um pouco esbugalhados seguiam ansiosamente a conversa que decorria na mesa.

Rita, que observava, sentindo-se simultaneamente repudiada e incapaz de parar de olhar, pensou para consigo amanhã trago almoço outra vez.