Em honra de Fábio

Frequentadores assíduos da casa ou privilegiados amigos e conhecidos da suprema potência conhecida como Rita Ralha conhecerão certamente o seu mítico desamor pelas lamechices e romanticices diversas. Rita sempre desprezou publicamente (com ou sem sentimento, a dúvida para sempre permanecerá) qualquer frase mais emocional, piegas ou pindericamente chorosa.
O assunto surgiu, numa tarde, na cabeça de Rita, a propósito da sua mais recente visita ao dentista, provocando-lhe um forte sentimento de confusão e merecida interrogação acerca dos seus supostos alicerces de mulher forte anti-tudo-o-que-se-apresenta-remotamente-lamechas. O profissional era de meia idade, conhecido há uma quinzena de anos, de cabelo branco e porte pesado. O motivo para tamanho revolto de emoções na cabeça de Rita: o dentista tratava-la por amor querido e ela não se importava.
Rita questionou-se se tudo o que sempre tomara como certo estaria realmente correcto. Sem resposta, encolheu os ombros e, embalada pelo poder sedutor da lamechice vivida durante a tarde, olhando para M.Dog, confessou-lhe que a venerava e fez juras de amor eterno. M.Dog bocejou e virou a cabeça para o lado.