Uma aventura no reboque


Noutro dia andei de Reboque. O meu carro decidiu que precisava de fazer a sesta, por isso tivemos de ir os dois de reboque para casa. Ele foi atrás, eu fui à frente com o Sr. Condutor. Ora, o Sr. Condutor até nem se portou nada mal, dado que teve a decência de ir caladinho durante toda a viagem, sem colocar uma questão sequer - graças a todos os anjos, certamente, pois se houvesse um Nobel para a pessoa que menos jeito tem para fazer small-talk, eu já estava nas ilhas Fiji a gozar o meu prémio anual de 1 milhão de dólares (sim, porque eu ia ganhá-lo todos os anos). Já o rádio do Sr. Condutor não era propriamente tímido. Se, tal como eu, pensavam que a pior coisa que podia passar pelo vosso rádio era a TSF ou o Rádio Clube Português, claramente, nunca foram apresentados à Popular FM. A Popular FM não só toca músicas com ritmos africanos cantadas em francês, como tem o dj mais nojento de todo o universo. Comparado com ele, a alegria excessiva e constante dos djs da Cidade FM parece um sonho.
É claro que um mal nunca vem só... A juntar-se à sinfonia musical, estava o chocalhar constante dos vinte(?) porta-chaves que o Sr. Condutor coleccionava e orgulhosamente havia pendurado numa fitinha de clips entrelaçados ao longo do vidro da frente.
Por fim, não posso deixar de mencionar a magnífica cereja no topo do bolo, que resultava da combinação de dois factores: a inexistência de cinto de segurança no meu assento e o gosto do Sr. Condutor pelas travagens a fundo.

Como é que sobrevivi e não estou internada com uma depressão profunda? Até hoje, desconheço.