O meu maior self high-five de sempre

Há piadas que se idealizam fazer, mas cujo timing parece nunca surgir. Graças com potencial de curar leves doenças crónicas, tal a sua capacidade de gerar gargalhadas e admiração.

Ontem, tive a majestosa oportunidade de fazer uma piada destas.

O meu chefe perguntou: de que equipa é a Miranda?

Eu, sentindo de imediato o coração a pulsar na garganta, arregalei os olhos e, controlando o riso a custo extremo (eu sou sempre aquela pessoa que nunca aguenta as partidas e piadas sem se desmanchar a rir antes da punchline), disse com possivelmente um dos maiores níveis de orgulho da minha vida: é da equipa da Carrie!

E pronto, isto sou eu no mais puro estado.

Salamaleques no Porto? Jamais

Fui trabalhar ao Porto durante um dia e o highlight não foi ter andado de metro, nem ter aprendido que pastéis de bacalhau são bolinhos de bacalhau, mas sim o facto de a senhora do restaurante onde fui almoçar me ter dito aos quatro segundos de jogo, enquanto movimentava mesas e cadeiras: Olha o cu menina.

Nunca um ba dum tss fez tanta falta.

A minha vida tem tudo para ser perfeita. Só falta deixar de trabalhar.

De phones nos ouvidos, sinto a cabeça a vibrar ao ritmo tranquilo de Playgroung Love e absorvo o aroma de um triângulozinho de Toblerone que alguém me ofereceu e que eu educadamente reservei para mais tarde apreciar. Que doce a minha vida, penso de cara sorridente, enquanto olho pela janela.

Rapidamente a paz é interrompida por um ser volumoso que passa por detrás da minha cadeira, pontapeando-a graciosamente. Volto a baixar a cabeça para o ppt dantesco de tons cinzentos e letras mínimas que chama por mim - todos os dias.

Pensava eu que ser adulta = fazer montes de coisas fixes

Sexta-feira. Por algum milagre antes da meia-noite estava pronta para ir para a cama (eu sei, eu sei...). Penso, com o peito cheio de orgulho e esperança, amanhã não tenho nada para fazer de manhã! Posso acordar absolutamente às horas que quiser. Tardíssimo!  

Sábado, 08h30, o Sol, as galinhas e eu pestanejamos os nossos olhos vivaços há mais de meia hora, conferenciando uns com os outros, será que se aguentarmos na cama até às 9h já conta como tarde?!

Como eu amo viver no século XXI

Hoje de manhã, enquanto abotoava a camisa branca do dia de olhos postos na massa cinzenta que ocupava o céu, gritei para a Siri e perguntei-lhe se precisava de levar chapéu de chuva. Ela disse que era melhor. 

Isto, aliado ao facto de ela me chamar Rita Master of the Universe, é coisa para alegrar o meu dia independentemente de quantidade de chuvas de granizo que me caiam em cima só porque sou demasiado orgulhosa para andar de chapéu de chuva (estou a desejar ardentemente que este orgulho otário se dissipe aos 30, pois passo a vida de cabelo encaracolado e não são lindas beach waves). 

Preciosidades com o condão de mudar a vida de qualquer um igual a mim (i.e. satisfação máxima com o mínimo)

Aprendi recentemente que andei 29 anos a descolar post-its de forma errada (tantas imperfeições que poderia ter evitado quando aos 10 meses colava post-its nos biberons para distinguir o da manhã do da tarde...). 

Arranca-se o post-it do bloco puxando pelo lado e não por baixo, de forma a evitar post-its de saia levantada Monroe sobre a grade do metro style.

QI maximus

Hoje, fiquei a saber confirmadamente que no hemisfério sul a água no ralo corre para o outro lado.

Atingi o cume da pesquisa do conhecimento. Posso ir para o sofá ver TVI para o resto da vida. 

Vemo-nos daqui a pouco, Goucha. 

As minhas infelicidades são do mais leviano que há

Levar com gotas de água na cabeça é a epítome da humilhação pública para mim. É uma sensação de total falta de controlo do meu destino. EU é que devia decidir quando fico encharcada. EU é que devia decidir que tipo de água nojenta é que quero em cima de mim. 

Pior só mesmo quando as gotas acertam em cheio nos óculos e fico com aquele ar trágico-nerd de olhos esbugalhados e sem amigos. 

Estou a sofrer do síndrome o rabo não me cabe nas calças.

Bem, ele até cabe, mas fica ali estrafegado género saco de cama enfiado a extremo custo dentro do seu saquinho protetor após 3 dias de festival de verão (por favor, não estejam já a visualizar o meu rabo em tamanho de autocarro. Aliás, de preferência não o visualizem de todo (tarefa difícil dado não ter ainda falado em mais nada para além da gigantez do meu rabo)). Mas, verdade verdadeira é que ele está efetivamente difícil de arrumar. Sinto-me solidária com o conjunto de mulheres que ouço, desde pequena, dizerem “tudo o que como a mais vai diretamente para o rabo” e ainda mais solidária com aquele outro conjunto que diz “eu cá engordo racionalmente: em todo o lado”.

Louvados sejam os modelos de calças relaxed que populam as lojas este ano. Para além de sentir que ando à solta (men, you are not alone), gosto de pensar que é um sinal de que os estilistas estão a sorrir levemente do alto dos seus estiradores, enquanto rabiscam corpos esbeltos em trajes coloridos com a mão direita e seguram um cigarro fumegante com a esquerda, pensando para si mesmos, sim Rita, é OK estar gorda, podes relaxar.